hello world!

Discurso de Apresentação do livro As Pauladas do Amor – Uma aventura pelas novas histórias de Moçambique

O livro As Pauladas do Amor – Uma aventura pelas novas histórias de Moçambique recentemente lançado em Maputo é uma antologia coordenada por mim e pelo Eduardo Quive e reúne vinte e dois autores representativos na novíssima prosa de Moçambique. Nós pedimos que cada autor contasse uma história engraçada sobre o amor e o resultado é este cruzamento de tendências, estilos e influências que fazem da literatura moçambicana um espaço de reinvenção permanente da existência humana.

A antologia conta com textos dos organizadores e dos seguintes autores: Adelino Albano Luís, Albert Dalela, Alerto Bia, Almeida Cumbane, Baptista Américo, Bruno Areno Marques, Dany Wambire, Elton Pila, Énia Lipanga, Fernando Absalão Chaúque, Francisco Panguana Júnior, Hélder Tsemba, Hélio Mendoso, Maya Ângelo Macuácua, Nelson Lineu, Lilly Maxwel, Lorna Zita, Teresa Taimo, Virgilia Ferrão e Zaiby Manasse.

Acho que já disse tudo que devia dizer sobre o livro. E quem for a sair a partir de agora não vai perder nada. O que vou dizer a seguir é apenas um amontoado de palavras para ocupar o tempo que me foi dado. Porque se eu falasse apenas um minuto, não teria mais convite para voltar as correntes, … e esta é a minha primeira vez.

Conforme disse, o livro reúne 22 textos em prosa narrativa, com o género a pulsar entre o conto e a crónica literária, muito comum na literatura moçambicana. É um livro que não define, nem explica o amor, mas com ele dialoga, questiona, delira e sobrevive.

Podemos encontrar neste livro, algumas coisas inusitadas e outras coisas normais, como por exemplo:

  • Um carpinteiro que sabe consertar tudo… menos o próprio coração.
  • Um domingo em que o amor divide espaço com o roubo, o pânico e a fome.
  • Noivos que desafiam o engarrafamento e as convenções para casar “é hoje ou nunca”.
  • Pais religiosos, filhos apaixonados e uma pandemia a meter-se no meio do romance.
  • Um botão esquecido que desencadeia uma cadeia de humilhações hierárquicas.
  • E até um bêbado suspenso entre coqueiros, a refletir sobre a vida, o álcool e os fantasmas da guerra.

Este livro é, como referimos na Nota Introdutória, uma “fotografia panorâmica” da literatura moçambicana contemporânea. Sendo eu e o Eduardo, protagonistas desta geração literária que está a marcar Moçambique, e por via disso, desprovidos de qualquer imparcialidade, construimos uma uma imagem imperfeita, porém ousada.

É também um retrato do movimento literário que se tem vindo a consolidar nos últimos anos: agremiações, clubes de leitura, movimentos independentes, editoras que nasceram quase como atos de resistência cultural. Esta antologia mostra que Moçambique, tantas vezes chamado “país de poetas”, está a afirmar-se com força também na prosa — e numa prosa inquieta, urbana, híbrida, cheia de sotaques e de ritmos.

Neste livro não escrevemos o amor como final feliz, até porque para muitos de nós, um final é sempre triste. Escrevemos o amor como experiência. Como tropeço. Como ironia. Como desmascaramento. Como sobrevivência. Escrevemos um amor que é sobretudo humano.

Tivemos o cuidado de deixar as partes boas para a imaginação do leitor, talvez por isso, o título, Pauladas do Amor.

Tentamos mostrar que rir do amor é uma forma de levá-lo a sério. Que contar histórias engraçadas sobre o amor é também expor as fragilidades que atravessam a nossa humanidade.

Dito isto, convido-vos a ler o livro, porque o amor é um idioma universal. E os autores aqui reunidos dialogam com tradições do humor e do absurdo, abrindo várias possibilidades de experiementar as múltiplas formas de viver a vida.

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Oldest
Newest Most Voted
Inline Feedbacks
View all comments

Outras notícias

crossmenu
0
Would love your thoughts, please comment.x
()
x